Pra quem conhece o Dovair ou no mundo do samba o Marcelinho S/A tá aí um pouco da sua trajetória no Samba. Uma pessoa alto astral, crítico, de opiniões fortes, porém, sinceras e ao mesmo tempo, de uma alegria contagiante. Após 17 anos de carreira solo completados em 28/11/2017 com muito desgaste, lutas, vitórias, derrotas, aborrecimentos, frustrações, indignações, emoções diversas, ele considera vitoriosa a sua existência no mundo do samba.


Hoje ele canta, toca e curte cada apresentação que faz, e lamenta muito o samba original não estar na grande mídia como na década de 80.
Fica triste, por ter sido interrompido essa década maravilhosa para os amantes do samba e crê que o samba seria muito diferente hoje, se tivessem continuado na mesma linhagem de composições, batucadas e harmonia.

O samba é um dos ritmos do povo, afirma ele.
Seu EP traz 05 sambas inéditos de compositores da velha e nova geração como: “Celson Mello, Mito, Papacaça, Juliano Fernando, Willian Ribeiro,
Lula Barbosa, Wilson de Castro, Leandro Fab, Meia Noite e o próprio Marcelinho S/A. São letras inspiradíssimas, colocadas com o seu jeito de sambar e dedicado ao povo de uma forma simples.
O EP “O Morcego” foi lançado em 2017 na Choperia Natorre no Jardim Santo Eduardo Embú das Artes/SP e tem o sabor da simplicidade.
“Viva o Samba”, Diz: Marcelinho S/A.


1. Quando você Marcelinho S/A olha pro início de tudo na música, qual é a primeira lembrança musical?
 

Minha casa onde tínhamos um ambiente muito musical um sábado por mês. Meu pai tocando Acordeon, minha mãe fazendo bolos para os convidados músicos e suas esposas, dando sempre uma passadinha na sala pra cantar algumas canções com sua voz linda, suave, eu amava minha mãe cantando bem no estilo da Dona Ivone Lara, simples demais, porém, me prendia a atenção o seu jeito diferente de interpretar. Muita alegria na Roda de Músicos, assim era a madrugada inteira, sala cheia e músicas de todos os gêneros, claro que meu pai adorava tocar as suas preferidas do Acordeonista Mariozan e tocava muito bem por sinal e eu aguardava os sambas.
Minha mãe sempre foi minha Diva, coração bondoso, trabalhadeira, sofrida, mas sempre estampando aquele lindo sorriso e disposta a ajudar a todos que a procurassem.

2. Como pintou esse Pseudônimo?

Em 1999, quando comecei a trabalhar na Banda do Grupo Juventude S/A como Back-vocal, Cavaco e Banjo, o vocalista Luciano Bolão sempre brincava comigo e na gravação do CD História de Amor eu e o Luneta (pandeirista) que estávamos gravando o Back-vocal paramos para conversar e chega o Luciano dizendo que eu lembrava um cantor de pagode de sucesso na época e como meu nome “Dovair” era muito estranho eles iam me chamar de Marcelinho. Num ensaio do Grupo em Carapicuíba as fãs e amigas concordaram, porém, disseram  descontraídas ele é o Marcelinho do S/A rs... Pronto ganhei um Pseudônimo artístico Marcelinho S/A.

 

3. Quando você decidiu ser cantor solo, abriu-se uma cortina na sua vida com a música Meu Número (Nº1)?
 

Eu nunca fui cantor, apenas decidi fazer o samba do meu jeito. Então comecei pedindo pra me desligar da Banda do Gr. Juventude S/A que agradeço imensamente pela oportunidade dada, pois, aprendi muito ao lado deles e vivi mesmo como coadjuvante o sabor do sucesso, participando de Shows, TVs, Rádios e da gravação do CD História de Amor.
Decidi cantar samba como aprendi em minha infância.
Mesmo inexperiente como linha de frente, paguei pra ver e tá aí minha carreira solo há 17 anos graças a Deus.
Cada apresentação minha era uma vitória, eu novato como cantor e havia cantores maravilhosos no anonimato do samba, só monstros consagrados na noite, ai surgiu a música Meu Número (Nº1) comecei a cantar e tocou no coração de algumas amigas que lideradas pela Patricia Luciana Camargo (Tata) montaram um Fã Clube pra mim chamado Fã Clube Número Um e fiquei sem ação, feliz demais, serei eternamente agradecido a cada uma delas, que hoje estão casadas tem suas famílias, filhos e nunca esquecerei a motivação desse gesto delas comigo.
Hoje canto sem me preocupar com o sucesso, trabalho pra conseguir muitos sorrisos do público onde eu passar, não há cobrança.


4. O novo EP “O Morcego” traz um leque de compositores, de qualidade desde o romântico até o Partido alto. Como é sua avaliação desse EP?
 

É de total alegria. Esse EP é profundo em meu jeito de sambar, não sei me relacionar superficialmente com os sambas que eu acredito e gravo. Claro que tem o meu eu, em algumas músicas viajo na história. Outras não têm a ver comigo, mas eu interpreto como se estivesse vivendo aquela situação. Fiquei muito feliz com o resultado e não me cobro perfeição, sim a mensagem que canto sem inventar, tudo simples, me faz bem assim.


5. O samba está se renovando, o que acha da nova geração que surgiu?
 

Eu reconheço alguns valores e defendo gente nova que fazem bem aos meus ouvidos, não sou igual algumas pessoas que só dá valor a Raiz, que é genial. Precisamos valorizar também os que estão aí criando, renovando o samba, mas devemos não esquecer as origens da fina Batucada e a verdadeira harmonia, sem firulas nas cordas e sim pegada de samba, não é só o lado comercial em meu conceito.

6. São vários os estilos dos Grupos entre Samba e Pagode.
 

O Samba é uma escola em todos os lugares, Bares, Palcos, Beiras de Campo que enfrenta preconceitos do modismo e pessoas que se acham promotores da música e não dão valor ao nosso samba, por ser de origem humilde geralmente. Só que eu acho que alguns têm preconceito em relação à batucada, e eu já dou o maior valor à batucada, traz a verdade do samba e dos nossos ancestrais que enriquece toda a melodia fazendo a diferença entre Samba e Pagode.

7. Essa felicidade do seu EP expressa a sua realização?
 

Sim, sou realizado e agora tudo é um algo a mais, pois não esperava merecer tanto. Sou uma pessoa simples e de alto astral, mas tenho sentimentos, o que passei na música desde 1973 e no samba desde 1983 até hoje foi válido, mas tive tanto carinho nessa trajetória das pessoas, que superei as perseguições, pois só queria cantar e sabia das minhas limitações, só que no meio artístico a vaidade e soberba são cruéis, existem inúmeros falsos simpáticos pode acreditar.
Durante esses 17 anos solo conheci e estou conhecendo a soberba de alguns do meio artístico e também aprendi a lidar com a vaidade dos artistas que se alto-intitulam superiores. Não quero nada que não for meu, portanto, não me ofendo se alguém se sente incomodado e já tenha seu pré-julgamento sobre o meu trabalho, sou feliz como sou, já ultrapassei o lugar de destaque que eu almejei na minha infância, agora só quero cantar, sorrir, abraçar, estou realizado.

 

8. Qual é a Bandeira principal do novo EP?
 

É o samba de Partido Alto, que já não se grava mais para a grande mídia, e esse EP é uma confirmação do meu gosto musical.

 

9. A música O Morcego título do seu EP. Qual o significado da escolha?
 

Sou fã do Partido Alto e por esse samba ser de um compositor da minha cidade Taboão da Serra o Celson Mello eu me empolguei mais ainda, pois, valorizo composições de compositores que não são conhecidos, partido alto bom não resisti e gravei, pois fala daquela pessoa que come bebe e não paga nada pra ninguém, tá cheio de morcegos em todas rodas de amigos nos Happy Hour, achei que seria bem popular por isso a escolha.

10. Quando a dificuldade vem, em que ou quem você mais se apega, fora Deus, pois sabemos sua fé, para não deixar tudo pra trás?

Apego-me a minha mãe, a maior incentivadora do meu trabalho, desde sempre.
 

11. Qual a importância de um empresário e escritório na carreira de um novo artista?

Imensa, diria que é um divisor de águas. É onde começamos fazer eventos com organização e divulgação que é a base de todo trabalho. O resto o talento e competência te ajudam a conquistar.
Eu tive três Produtores onde cada um em seu tempo fez muito por mim e me ajudou dando um UP na carreira solo:
- Call Henrick, foi o que deu o ponta pé inicial em tudo;
- Luiz Carlos, fez tudo acontecer mais rápido do que eu esperava;
- Viví Soluções, fez minha retomada depois de um desânimo com o mundo artístico e por isso estou até hoje trabalhando, sem esses três profissionais eu não conseguiria chegar onde estou, meu muito obrigado de todo coração!
Hoje conto com o apoio da minha esposa Alessandra cuidando das minhas apresentações e apoio da minha Filha Bruna para tudo em divulgação, me considero bem assessorado.

12. Qual sua maior alegria na música no ano de 2017, fora o seu EP lançado?

A oportunidade de ter sido o compositor do Alusivo e Hino do CATS – Clube Atlético Taboão da Serra o time da minha cidade que está em ascensão e também a aceitação do meu trabalho na cidade de Embu das Artes, um povo maravilhoso que me prestigia e me faz feliz demais, muito obrigado!
 

13. Qual o seu recado para os artistas novos que também sonham com seu espaço na música?

Meu recado é foco em tudo que possa ser real musicalmente falando, dedicação em tudo que fizer pra sua carreira e persistência, pois, muita coisa muda no percurso para sua realização trazendo aborrecimentos e desânimo, não se venda ao modismo, seja autêntico.
Acredite no seu trabalho, seja forte e preste muita atenção pra quem entregar sua vida musical, pois, existe oportunistas de todos os tipos e marcas. Invista em você sempre que possível para coisas concretas, não crie ilusões, procure bons profissionais para trabalhar com você (Fundamental), lute para que sua música seja um material de qualidade, faça parcerias com gente vitoriosa e siga em frente, o que for merecido Deus te concederá.

14. Uma frase?

 Deus deu o DOM ao homem, não para ser superior, mas para ter a atenção de muitos e usar seu talento para promover o BEM 

Obrigado meu Deus por essa oportunidade!